Archive for outubro, 2008

10/14/2008

Denso do Brasil Ltda.

Andei bem ocupada ultimamente, pois às vésperas do anúncio oficial da chegada da multinacional Denso do Brasil Ltda., tive que fazer várias traduções para a prefeitura de Santa Bárbara e ainda fui contratada pra trabalhar no evento como intérprete. A questão é que a Denso é uma multinacional japonesa fabricante de autopeças  e vai instalar uma filial no Brasil (a terceira, se não me engano) aqui no município de Santa Bárbara d’Oeste, provavelmente nos próximos dois anos. Pois bem, fui contratada pra ser intérprete do evento, já que o presidente da empresa, o japonês Makoto Inoue, só tem o inglês como língua estrangeira. Acontece que ele próprio trouxe um intérprete de japonês-português, talvez para ficar mais à vontade falando em japonês, então adivinhe qual o trabalho que eu tive? Nenhum. Fiquei somente observando, e ainda fui paga por isso! Na verdade a secretária do prefeito disse que me contratou só pra ficar mais “aliviada”, caso ocorresse alguma emergência, urgência, etc, mas no fim deu tudo certo!

Teve muitos comes e bebes depois do anúncio oficial, eu comi sushi-ou-sashimi-sei-lá, um (um mesmo!) bolinho de arroz e bebi algo. E ainda ganhei um bonequinho fofo, chamado Daruma:

Daruma

O povo japonês costuma comprar esse boneco que é vendido em barraquinhas localizadas próximo aos templos e santuários , no ano novo, para que se concretize o sonho depositado no ano que se inicia. Ao comprá-lo, vem sem os olhos: quando você quiser que o seu desejo se realize, pinte um dos seus olhos e, se o pedido for atendido, o outro deverá ser pintado em sinal de gratidão.

O boneco, DARUMA-SAN, é feito geralmente de “papier machê” e veste-se de vermelho para espantar “o olho gordo”. O fundo dele é pesado para que possa levantar-se simultaneamente mesmo estando na posição de queda. O fato de Daruma-san não cair, representa “jamais desistir”, tanto que há um provérbio japonês que se diz: “NANA KOROBI, YA OKI”, que quer dizer: “CAIA 7 VEZES MAS LEVANTE 8 VEZES”.

Fonte: http://www.sonoo.com.br/Daruma.html

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10/10/2008

Ter ou não ter?

Vira e mexe me deparo com alunos escrevendo e falando “I have x years old“. Esse é um dos erros mais banais em inglês, e o mais corriqueiro, eu diria. Se por ora aqui no Brasil dizemos “eu tenho x anos“, o mesmo não é válido na terra do Tio Sam. Lá, devemos sempre usar “I am/I’m x years old“. Acho válida a forma, pois se formos pensar que nós não temos anos – no sentido de posse – mas somos x anos velhos, já que a velhice é algo que se adquire com o tempo e não algo que se ganha, como um prêmio de loteria. Já pensou se alguém lhe falasse “parabéns! Você foi contemplado com mais x rugas!”.

Mudando de assunto…

Há certos professores e lingüístas (ainda não me acostumei a escrever sem o trema, ok?) que defendem o não-uso da língua materna no ensino de língua estrangeira, pois dizem que tal uso pode acarretar em maus hábitos como traduzir literalmente certas frases e etc. Mas eu sou do contra. Acho que se fizermos um uso da língua materna com parcimônia e cuidado, ela só vem a agregar valores no aprendizado da nova língua. Acho digno se, ao aprendermos algo complexo, fizermos uma analogia ou mostrarmos um elo de semelhança entre uma língua e outra, só temos a ganhar. E ainda nos poupa tempo. Nada mais frustrante do que tentar explicar através de mil formas algo simplesmente inexplicável. Também não são todos que têm a habilidade de entender bem e assimilar a gramática, um “objeto” tão arbitrário das línguas. Dessa forma, sou defensora de uma práxis mais flexível em relação aos alunos e sou totalmente contra as metodologias prontas de escolas de idiomas. Pra mim, se uma metodologia não é flexível a ponto de não poder mudar nada no método de ensino e nem nas aulas, de nada vale nossos esforços. Sem querer fazer jabá, mas por já ter trabalhado numa escola com uma coordenadora metida à déspota e com uma metodologia retrógrada, recomendo veementemente a escola em que trabalho: Yázigi Internexus. Educação não é aprender regras e conteúdos, é muito mais profundo do que isso, é um lugar onde acima de tudo, há a construção do próprio conhecimento. Vide Paulo Freire, que não cito agora pois não achei meu livro dele e porque a internet está uma merd*** hoje.

10/07/2008

Vícios

Não, não é sobre vícios banais do tipo álcool, cigarro e drogas que irei falar, muito menos da canção do Charlie Brown Jr. – ecati! É sobre vícios de linguagem, cuja significação copio descaradamente do Wikipédia (apenas uma parte): Vícios de linguagem são, segundo Napoleão Mendes de Almeida, palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a manifestação do pensamento, seja pelo desconhecimento das normas cultas, seja pelo descuido do emissor.

No ambiente de trabalho, com as pessoas as quais trabalhamos juntos, é inevitável deixar de reparar em certas características que elas (pessoas) apresentam: nos trajes, estilos, trejeitos e até no falar. E foi neste último que eu reparei numa colega de trabalho. Toda vez que ela usa o verbo precisar, ela o segue da preposição de. Preciso de ir ao banco! Preciso de fazer a lição. Preciso de fazer o pagamento (opa!). Eu, como um ser muito curioso, fiquei a refletir se a tal regência do verbo estava correta. Mas confesso, a preguiça me impossibilitou de achar a resposta o quanto antes fosse possível. Cá estou eu, hoje, depois de ter acordado com um espírito literário – culpa por ter ido dormir depois de ler Lima Barreto – resolvi investigar a tal questão: qual a regência verbal de precisar? Lá vou eu dar uma Wikipediada (verbo inventado por mim, prevendo o futuro, já que existe até Googlada). O tal erro de regência é chamado de solecismo, ao que o site diz: Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. OK, Wiki, você já ajudou demais, mas gora é hora de apelar para o meu querido Manual de Redação e Estilo (O Estado de S. Paulo), por Eduardo Martins. Vou transcrever a parte referente ao verbo, que se encontra na página 247:

Precisar. 1— Precisar alguma coisa (indicar com precisão, particularizar): Não soube precisar o dia da partida. / Ele precisou suas necessidades. 2 — No sentido de ter necessidade, prefira a regência indireta do verbo: O país precisa de novos empregos. / Todos precisamos de estímulo no trabalho. / Precisa-se de empregados. / Este é o livro de que ele precisa. / Era tudo de que precisava. Com infinitivo, porém dispense a preposição: Precisamos sair. / A empresa precisa contratar novos empregados. / Eles precisam ir embora ainda hoje.

E não é que meu pensamento estava correto? Agora é não esquecer: antes do infinitivo, esqueça de. De que precisamos dele neste caso, né?

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Referências

Wikipédia: http://pt.wikipedia.org

MARTINS, Eduardo. Manual de Redação e Estilo. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 1990. 247 p.