
Knowledge is the biggest treasure, and teachers are the best suppliers.
Essa frase acima é de um aluno meu*, que ontem o descobri como um poeta. Engraçado isso, ver o lado sensível das coisas, principalmente nos homens. Acho lindo homens que demonstram sua sensibilidade, que hoje em dia é taxado como “emo”, e que acaba reprimindo esse lado sensibilizado nos meninos. Coisa chata é essa juventude taxativa, na qual tudo é classificado como “bom” ou “ruim”, ou seja, ser emo é ruim, mas gostar de NX Zero tá na moda, logo, é bom (embora eu veja controversias no que acabei de dizer, porque NX Zero não deixa de ser “emo” pela classificação de hoje em dia, né?). Você gosta de pagode? Deus me livre! Gosta de High School Musical? Que idiota! Vai ao show dos Jonas Brothers? Tá podendo, hein? E por aí vai…
É interessante dar aula para adolescentes (além de ser um pouco estressante, mas eu relevo) porque eu ouço tanta coisa legal, mas ao mesmo tempo absurda, que me gera um encantamento ao extremo por essas criaturas.
Ao mesmo tempo vejo uma geração mais acomodada, menos participativa e mais passiva, na qual tudo que é essencial é chato, como a escola, os professores, as matérias e etc. Quando algum aluno comenta sobre o tal Crepúsculo ou Harry Potter, antes eu pensava que tal literatura fosse bobagem, já que estou acostumada aos clássicos (sem querer parecer pedante, mas é o que um curso de Letras exige), porém hoje em dia vejo isso como uma literatura adepta aos tempos modernos, com uma linguagem mais acessível, um texto mais “fluido” e rápido, que de qualquer forma serve pra exercitar esse lado leitor das pessoas, e já que serve pra isso é válido! Acho válido sim, os best-sellers, os livrinhos de banca de jornal (ao estilo Bianca, Júlia, etc), os de autoajuda e tudo mais, porque se serve pra pessoa deixar e/ou reduzir o hábito de “surfar” na internet, assistir tv e dormir demasiadamente por horas a esmo, pra mim já é válido, sim senhor!
Na maioria dos livros que leio, os clássicos, encontro uma linguagem muito erudita, que na verdade não o chega a ser isso mesmo, mas é o que era usado na época, desatualizado se compararmos à atual. Talvez por isso eu criei o hábito de sempre ter um dicionário por perto e até na bolsa carrego um, para eventuais necessidades. Com Gustave Flaubert eu aprendi o que significa diligência, com Machado de Assis entendi o que é ser dissimulado e com Eça de Queiroz aprendi uma das expressões que justifica o meu espírito dominical: “estar endomingado”, ou seja, estar possuído pela melancolia e nostalgia típicas dos domingos.
Não que eu não aprenda nada com meus alunos, pois eu aprendo sim. Aprendi que “shuffle” e “rebolation” são estilos musicais, e que “tô na vibe” é algo bom. Se me são importantes, aí são outros quinhentos…
Quando pergunto aos meus alunos: “Do you like to read books?” a resposta avassaladora, e não menos surpreendente, é um uníssono “No, I don’t” ou pro meu desespero “No, I hate books!”. Agora, se lhes é perguntado “Do you like to surf on the net?” ou algo até mais abstrato, do tipo “What do you like to do in your free time?”, adivinhem qual é a resposta? Siiiiim, o tal do surf on the net. Pois eu prefiro surfar em outras coisas, de preferência mais complexas e menos óbvias, do que a ficar impondo rótulos e seguindo modas. Enfim, não é uma crítica, só um mero detalhe.
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*O aluno em questão não é um adolescente, mas me serviu de inspiração para o assunto.